A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) realizou nos dias 22 e 23 de abril um Encontro Nacional de Saúde do(a) Trabalhador(a) Bancário(a), que reuniu dirigentes sindicais de diversas regiões do país para debater a epidemia de adoecimentos da categoria, principalmente transtornos mentais, e construir propostas para subsidiar as negociações com os bancos na Campanha Nacional dos Bancários de 2026.
O objetivo foi organizar a luta por melhores condições de trabalho que preservem a saúde dos trabalhadores do sistema financeiro, com atualização da pauta de reivindicações diante das transformações recentes no setor.
Entre os principais temas debatidos estiveram os riscos psicossociais relacionados ao trabalho, o crescimento do adoecimento psíquico e o avanço do assédio moral organizacional, com destaque para o assédio algorítmico e a vigilância digital utilizados para intensificar o controle e a cobrança por resultados.
Segundo o secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, o nível de adoecimento na categoria atingiu patamares preocupantes. “A categoria bancária vive um nível extremamente elevado de adoecimento, principalmente por transtornos mentais e comportamentais. Isso não acontece por acaso. É resultado de um modelo de gestão baseado em metas abusivas, pressão permanente por resultados e medo constante em relação ao futuro profissional.”
Os participantes do Encontro apontaram que a gestão por estresse, associada a sistemas de avaliação de desempenho, remuneração variável e uso intensivo de tecnologias de monitoramento tem ampliado o sofrimento psíquico, o esgotamento e o afastamento de trabalhadores.
O encontro também destacou a falta de políticas reais de prevenção por parte dos bancos. De acordo com os dirigentes, os serviços médicos das instituições seguem subordinados à lógica da produtividade, enquanto trabalhadores adoecidos enfrentam dificuldades para acessar tratamento, reconhecimento do nexo ocupacional e benefícios previdenciários junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Para Mauro Salles, o movimento sindical terá papel decisivo no próximo período. “Nosso desafio é duplo: combater as causas estruturais do adoecimento e garantir acolhimento, reabilitação e reparação aos trabalhadores atingidos. A renovação da Convenção Coletiva em 2026 precisa avançar em mecanismos concretos de prevenção, fiscalização e proteção à saúde da categoria”, destacou.
O conselheiro deliberativo da Cassi Alessandro Greco Garcia, o Vovô, informa que os diretores e conselheiros eleitos da Caixa de Assistência concordam com a avaliação que o movimento sindical faz a respeito. “Estamos exigindo do banco e da direção da entidade que a Cassi crie uma área específica de saúde do trabalhador para tratar dos adoecimentos psíquicos em razão do trabalho”, acrescenta.
(Com informações da Contraf-CUT)











