Às vésperas de uma das eleições mais importantes e acirradas da história, e com a responsabilidade de representar os mais de 700 mil participantes de uma das maiores caixa de assistências do país, temos o dever de nos posicionar em defesa da NOSSA CASSI. Até porque respondemos fiduciariamente pela nossa entidade e pelos rumos que ela segue.
Importante ressaltar que nós, enquanto defensores da democracia, respeitamos todo e qualquer posicionamento político e ideológico dos nossos associados e associadas. Posto isso, gostaríamos de chamar à reflexão acerca do posicionamento dos candidatos à Presidência da República e de como suas propostas podem afetar nossa Cassi.
Queremos chamar a atenção de que a declaração do nome cotado para ministro da Saúde pelo candidato da extrema-direita, que questiona se a saúde deve ser tratada como um direito ou um bem, vai na contramão do que defendemos. Acreditamos que a saúde não pode ser tratada como uma mercadoria.
Achamos que atribuir as dificuldades enfrentadas no financiamento do SUS àquelas pessoas que se dão “ao luxo” de não se cuidar, além de refletir um desconhecimento das condições precárias em que ainda vive boa parte da nossa população, abre espaço para a ideia de que a saúde deve ser paga apenas por quem usa, o que vai totalmente na contramão do princípio da universalidade e da SOLIDARIEDADE.
“Replicar o padrão Einstein no SUS”, fala proferida pelo candidato da extrema-direita, pode soar atraente, mas esconde uma armadilha perigosa: não se fortalece o público copiando a lógica do privado. Ao contrário, corre-se o risco de esvaziá-lo.
O que está em jogo não é a modernização do SUS com o prontuário eletrônico – o que, por sinal, já está em andamento tanto no SUS quanto na Cassi (para quem quiser conhecer mais, pesquisem pelo OpenCare) – mas sim mudar a natureza do sistema: de um direito universal para um serviço de mercado.
Isso fica ainda mais evidente quando o candidato em questão fala de “Redemocratizar o Brasil”, o que, na prática, significa rever a nossa Constituição e os direitos básicos ali defendidos, dentre eles (e talvez o principal) a saúde pública, que deixaria de ser um dever do Estado para se tornar um bem individual, como sugeriu o futuro ministro da Saúde em caso de sua vitória.
Mas esses ainda não são os maiores riscos para a nossa Cassi. O risco iminente de privatização do Banco do Brasil traz um dano ainda maior e irreparável para nossa Caixa de Assistência.
O candidato da extrema direita falou em alto e bom tom, em uma declaração recente, que pretende privatizar 95% das empresas estatais. E a articulação para entregar o Banco do Brasil ao capital estrangeiro já está em curso. O irmão do candidato já mantém conversas com interlocutores do governo dos Estados Unidos e do Bank of America para uma possível aquisição de participação relevante no BB.
A possível privatização do Banco do Brasil, seja na forma de venda total ou de associação com o Bank of America, representa uma ameaça existencial à Cassi e à Previ. O risco não é apenas especulativo: baseia-se na lógica de mercado que prioriza corte de custos e na experiência concreta de outras privatizações, onde os planos de saúde e benefícios de empregados foram drasticamente reduzidos ou eliminados.
A Cassi não é um plano de saúde qualquer. É uma autogestão sem fins lucrativos, construída sobre o princípio da solidariedade entre funcionários do BB e mantida pela contribuição destes e pelo patrocínio do banco. Seu modelo de Atenção Primária à Saúde, a APS, com as CliniCassi, é referência e se assemelha ao próprio SUS. A privatização rompe esse pacto. Planos de saúde e previdência complementar (Previ) são vistos pelo capital privado como custos a serem cortados para maximizar os lucros.
Na prática, os riscos consistem no fim ou na drástica redução do patrocínio do BB, a principal fonte de custeio da Cassi; no provável desmonte da atenção primária, uma vez que as nossas clínicas provavelmente passariam a ser vistas pela eventual futura gestão do nosso patrocinador como custos dispensáveis e também do fim dos programas de saúde.
Seriam também totalmente inviabilizados nesse cenário programas hoje oferecidos pela Cassi e que estão além do rol da ANS, como o PAD, o Bem Viver e a Atenção aos Crônicos, além daqueles que ainda estão sendo criados ou aperfeiçoados, como o programa da saúde da mulher e o programa de saúde mental.
Não se trata de terrorismo ou exagero. A lógica é simples: um banco privado não tem compromisso com a solidariedade ou com a saúde dos seus funcionários e aposentados. Seu compromisso é essencialmente com o lucro para remunerar seus acionistas. A nossa Cassi atual e o modelo que defendemos de cuidado integral à saúde e de solidariedade são totalmente incompatíveis com essa lógica.
Logo, o que está em jogo não é apenas a venda de uma empresa, mas a destruição de um dos maiores patrimônios dos funcionários do Banco do Brasil: a Cassi.
Uma privatização, mesmo que parcial, significa a transferência do poder de decisão para quem vê a sua saúde e a sua aposentadoria como despesa.
O candidato à reeleição, ao contrário do candidato da extrema direita, vem fortalecendo as entidades de representação dos trabalhadores, pensa em fortalecer o SUS e melhorar o atendimento à população visando melhores condições de vida para todos os brasileiros.
Portanto, reflita antes de votar. Não se trata de uma questão ideológica, mas sim de sobrevivência!
Luciana Bagno
Alberto Alves Junior
Ana Beatriz Garbelini
Gilmar dos Santos
José Arimatea de Souza Passos
Alessandro Greco Garcia (Vovô)
Luana Arimatso da Silva
Pedro Paulo Campos Magno
Diego Alves Carvalho
Pedro Carvalho Martins
Thiago Noleto






