A Comissão de Negociação que integra todas as entidades representativas do funcionalismo do Banco do Brasil obteve avanços na rodada de negociação com o banco, realizada nesta quinta-feira 29, visando um acordo que resolva a situação financeira da Cassi e garanta a sustentabilidade a longo prazo do Plano de Associados.
Após 11 rodadas de negociação, o Banco do Brasil apresentou uma proposta de aporte extraordinário de R$ 2,288 bilhões, comprometendo-se a assumir 60% desse montante, o equivalente a aproximadamente R$ 1,373 bilhão. Os 40% restantes, correspondentes a R$ 915 milhões, seriam de responsabilidade dos titulares do Plano de Associados.
A proposta será submetida à apreciação do corpo social em consulta nacional prevista para ocorrer entre os dias 18 e 25 de novembro de 2026.
A Comissão de negociação (composta pela Cassi, pela Contraf-CUT, pela Anabb, pelas entidades dos aposentados AAFBB e pela AFABB) considera que a proposta representa um passo importante para enfrentar as necessidades financeiras da Cassi e criar condições para a continuidade das discussões sobre um novo modelo de custeio, capaz de assegurar sua sustentabilidade no longo prazo.
Avanço resulta da mobilização e da ação das entidades
Para Fernanda Lopes, coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, o avanço é resultado da mobilização e da atuação das entidades representativas na mesa de negociação. “Conseguimos avançar em um ponto fundamental, que é a participação do Banco do Brasil na recomposição das reservas da Cassi. A proposta de o banco assumir 60% do aporte representa um compromisso importante, mas também é resultado da pressão e da atuação das entidades, que estão defendendo os interesses dos associados e a preservação da nossa Caixa de Assistência”, destaca.
A proposta inicial do BB previa que a parcela de responsabilidade dos associados fosse distribuída em 13 meses, a partir de dezembro de 2026. Nesse formato, a contribuição extraordinária seria de 2% sobre o valor da remuneração.
Preocupadas com o impacto dessa cobrança sobre o orçamento das famílias, as entidades representativas do funcionalismo defenderam a ampliação do prazo de pagamento para 18 meses.
Após a suspensão temporária da reunião para avaliação da reivindicação, o Banco do Brasil concordou com a proposta apresentada pelas entidades.
Com a alteração, o acréscimo mensal passa para 1,28 % sobre o valor da remuneração, reduzindo o impacto imediato sobre o orçamento dos associados. “Essa redução é muito importante para os funcionários da ativa, aposentados e pensionistas. Sabemos que qualquer contribuição adicional pesa no orçamento das famílias. Por isso, defendemos desde o início que o pagamento fosse distribuído em um prazo maior. A ampliação para 18 meses diminui o impacto mensal e demonstra a importância de uma negociação firme e comprometida com os associados”, afirma Fernanda.
O resultado demonstra a importância do diálogo e da atuação conjunta das entidades na defesa dos interesses do funcionalismo.
Aporte emergencial não substitui solução definitiva
Durante as negociações, os representantes das entidades ressaltaram que a recomposição das reservas é uma medida necessária e urgente, mas não pode ser confundida com uma solução definitiva para os desafios financeiros da Cassi.
Foi reconhecido o esforço da administração da Cassi na gestão dos recursos disponíveis, permitindo que a instituição mantivesse suas atividades e obrigações até o momento.
Entretanto, a sustentabilidade da Cassi exige mais do que medidas extraordinárias. Para os representantes dos associados e associadas, é indispensável avançar na construção de um modelo de custeio equilibrado, duradouro e capaz de acompanhar a evolução das despesas assistenciais, preservando a qualidade do atendimento e a capacidade contributiva dos associados.
“Não podemos tratar esse aporte como uma solução definitiva. Ele é necessário para recompor as reservas e garantir a continuidade da assistência, mas precisamos avançar na discussão de um modelo de custeio sustentável. A Cassi é um patrimônio dos funcionários do Banco do Brasil e precisa de condições para continuar oferecendo atendimento de qualidade, tanto para quem está na ativa quanto para aposentados e pensionistas”, ressalta a coordenadora da Comissão de Empresa.
Nesse sentido, ficou estabelecido que, caso a proposta de aporte seja aprovada, será instalada no início de dezembro uma comissão encarregada de discutir os critérios e princípios de um novo estatuto.
A previsão é que os trabalhos sejam concluídos até o final do primeiro semestre de 2027, quando a proposta deverá ser submetida à deliberação do corpo social.
Associados terão a palavra final
A proposta negociada ainda depende da aprovação dos associados da Cassi. A Caixa de Assistência disponibilizará um simulador para que cada associado possa consultar o valor de sua contribuição durante o período do aporte extraordinário.
A consulta ao corpo social está prevista para ocorrer entre os dias 18 e 25 de novembro de 2026. Antes disso, deverá ser firmado um memorando de entendimento formalizando os critérios negociados.
Se aprovada, a contribuição extraordinária dos associados terá início em dezembro de 2026, com pagamento distribuído em 18 meses.
Já a parcela de responsabilidade do Banco do Brasil será aportada em duas etapas, previstas para dezembro de 2026 e janeiro de 2027. “A decisão final é dos associados, que precisam ter todas as informações para avaliar a proposta. Nosso papel é garantir transparência, esclarecer os impactos e continuar acompanhando as negociações. A luta não termina com a aprovação do aporte: precisamos assegurar um modelo de custeio que preserve a Cassi e o direito à assistência à saúde de todos os seus associados”, conclui Fernanda Lopes.
(Com informações da Contraf-CUT)






