A Comissão de Representantes das Entidades do funcionalismo do Banco do Brasil que está negociando com a empresa uma solução duradoura para a sustentabilidade da Cassi considerou insuficiente nova proposta apresentada pelo BB em reunião realizada nesta quarta-feira 27 de maio. Duas novas reuniões foram marcadas para dar continuidade às negociações: uma virtual nesta sexta-feira 29 e outra presencial dia 3 de junho.
A Comissão é formada por representantes do banco e da Cassi e pelas entidades sindicais e associativas (Contraf-CUT, Anabb, Afabb e AAFBB). No encontro desta quarta, os representantes dos associados voltaram a cobrar responsabilidade do BB na sustentabilidade do Plano de Associados e na promoção da saúde do funcionalismo. E reafirmaram que um acordo a respeito precisa contemplar a manutenção do modelo solidário do plano, com custeio na proporção de 70% para o patrocinador e 30% para os participantes, princípio histórico que garante sustentabilidade e acesso coletivo à assistência à saúde.
Outro ponto central defendido pelas entidades do funcionalismo é a inclusão, em igualdade de condições, dos funcionários oriundos de bancos incorporados e daqueles admitidos no Banco do Brasil após 2018, que hoje não possuem acesso ao plano nos mesmos moldes dos demais trabalhadores.
Segundo a representação dos funcionários, a existência de diferentes regras de acesso fragiliza o modelo solidário e compromete o futuro da Cassi. As entidades também reafirmaram ao banco que a Cassi necessita de medidas imediatas para fortalecer seu caixa e recompor suas reservas garantidoras, que atingiram o patamar mínimo neste mês de maio de 2026.
Proposta insuficiente
O Banco do Brasil apresentou uma proposta que contempla mudanças no modelo de custeio dentro da linha defendida pelas entidades, com a adoção de um modelo híbrido. A proposta preserva o percentual de contribuição dos associados sobre a folha de pagamento e cria uma nova fonte de financiamento para a Cassi, utilizando como referência a tabela de custos assistenciais já existente na Caixa de Assistência, prevendo participação da patrocinadora e contribuição adicional dos associados.
As entidades avaliam que a proposta do BB sinaliza um caminho que pode contribuir para maior perenidade do custeio da Cassi. No entanto, ainda impõe um peso excessivo aos associados e não assegura o aumento percentual esperado na participação financeira do Banco do Brasil. A proposta ainda não apresenta solução adequada para os funcionários do BB admitidos após 2018 nem para os funcionários egressos dos bancos incorporados – e fragiliza ainda mais a situação dos associados auto-patrocinados.
Além disso, a Comissão de Representantes das Entidades também cobrou do Banco do Brasil a necessidade de análise de um aporte extraordinário e imediato para recompor os déficits acumulados até o momento no Plano de Associados, mantendo-se o compromisso de discutir eventual participação financeira adicional dos associados. As entidades reforçaram, contudo, que qualquer decisão neste sentido deverá ser submetida à aprovação do Corpo Social da Cassi.
‘BB quer fugir de sua responsabilidade na Cassi’
A coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Fernanda Lopes, criticou a postura do banco e cobrou maior comprometimento da patrocinadora com a sustentabilidade da Cassi.
“Não é possível que, mais uma vez, o Banco do Brasil tente transferir aos associados o maior peso da solução, enquanto mantém uma participação aquém da responsabilidade que possui como patrocinador. A Cassi é patrimônio dos associados do banco e exige uma resposta à altura da gravidade do momento. O banco precisa assumir seu papel de forma efetiva e apresentar uma proposta que garanta sustentabilidade sem penalizar ainda mais os trabalhadores”, afirmou.
“Não é passível de defesa pelo movimento sindical qualquer proposta que deixe de fora os colegas pós-2018 e os funcionários oriundos dos bancos incorporados. Não aceitaremos uma solução que aprofunde desigualdades dentro da própria Cassi”, completou.
Diante da complexidade do tema e da necessidade de uma avaliação mais aprofundada, a Comissão de Negociação e o banco acertaram um novo calendário de negociações: uma reunião virtual no dia 29 de maio e uma nova reunião presencial no dia 3 de junho.
A mesa de negociação sobre a Cassi foi instalada em 27 de novembro de 2025, teve uma rodada de conversas no início de maio deste ano e só foi retomada nesta quarta-feira diante da pressão das entidades do funcionalismo.
(Com informações da Contraf-CUT)











