Na terceira rodada de negociação do acordo específico do Banco do Brasil na Campanha Nacional 2026, que discutiu nesta quinta-feira 23 de julho o tema saúde e condições de trabalho, a Comissão Nacional de Empresa dos Funcionários do BB (CEBB) denunciou o assédio moral e as metas abusivas, que aumentam dramaticamente os adoecimentos mentais, cobrou realização de concurso para mais contratações e exigiu uma solução urgente e definitiva para a sustentabilidade da Cassi.
“Debatemos hoje um assunto extremamente importante para nós, que é a saúde do trabalhador. Abrimos a mesa reforçando que o Banco do Brasil precisa assumir sua responsabilidade pelo custeio da Cassi. Há bastante tempo discutimos a sustentabilidade do plano, mas é necessário um aporte urgente. Não podemos chegar a novembro sem que a Cassi tenha condições de honrar os pagamentos aos prestadores de serviço”, afirmou a coordenadora da Comissão de Empresa, Fernanda Lopes.
“O banco precisa assumir sua responsabilidade. Reforçamos na mesa a necessidade de uma solução definitiva para a Cassi e, neste momento, de um aporte financeiro que cubra o déficit já existente neste ano”, acrescentou.
A representação dos trabalhadores defendeu ainda na reunião que, após o aporte financeiro, o banco encaminhe a inclusão dos funcionários oriundos de bancos incorporados na Cassi e na Previ, além da retomada do patrocínio da Cassi para os empregados admitidos a partir de 2018.
Assédio moral, metas abusivas e adoecimento
Outro tema central da negociação foi o crescimento dos casos de adoecimento, especialmente relacionados à saúde mental. “Em uma consulta realizada com os bancários do BB, mais de 40% informaram depender de medicamentos controlados. Esse adoecimento está diretamente relacionado às condições de trabalho. O banco tenta atribuir esses índices a uma realidade geral da população, mas os números entre os funcionários são muito superiores”, destacou Fernanda Lopes.
A coordenadora ressaltou que o enfrentamento desse cenário passa pela melhoria das condições de trabalho. “Cobramos que o banco se comprometa efetivamente com a saúde dos trabalhadores. Isso significa reduzir a sobrecarga e estabelecer metas compatíveis com a realidade. Hoje, quando a maioria não consegue atingir os objetivos, o banco altera indicadores para viabilizar o cumprimento das metas. O correto seria definir metas alcançáveis desde o início, permitindo que os trabalhadores exerçam suas atividades com tranquilidade.”
Fernanda também relacionou o aumento das despesas da Cassi ao crescimento dos afastamentos por adoecimento. “Além do achatamento salarial decorrente das reestruturações, o número crescente de adoecimentos, principalmente por transtornos mentais, aumenta os custos da Cassi. Cresce o número de trabalhadores utilizando medicamentos controlados, algo que infelizmente vem sendo naturalizado. Melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida também significa reduzir os adoecimentos e contribuir para a sustentabilidade do plano de saúde.”
O presidente da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro-Norte (Fetec-CUT/CN), Rodrigo Brito, afirmou que o Banco do Brasil precisa rever sua estratégia para fortalecer sua atuação como banco público. “Estamos assistindo ao desmonte da rede de varejo do Banco do Brasil, o que prejudica os trabalhadores e compromete o papel público da instituição. O banco precisa dar uma guinada para voltar a cumprir sua função de agente de desenvolvimento do Estado, em vez de priorizar apenas os interesses do mercado financeiro”, afirmou.
(Com informações da Contraf-CUT)











